domingo, 4 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O Esquecimento
Galaaz
Jacob partiu
Repetiam sem pausa “Amen”
Enclausurados na antiga Cripta
Permaneciam fixos com a alma dada
E a sensualidade amordaçada
Para que Deus estavam eles virados?
O Poeta morreu, mas jazia entranhado
Em cada pedra exaltada
Outrora por aquele mal-amado,
Daqueles que queriam a verdade.
“Como Senhores, permanecem ainda por aí
Nessa ilha impalpável,
Labirinto de pensamentos cruzados,
No meio dessas Gárgulas de pedra fossilizadas?
Como viveram com a negação da Puberdade,
O enterro de todo passado,
O odor da vulva nunca ousado,
O Labor como única armada
E o esquecimento como meta alcançada?
Continua ele a vaguear nesse lugar falado?
Subterrâneos ocultos àqueles á terra fixados
Os Dados serão lançados até ao tempo inalcançável
Quem os calará?
Portuguesia em Espinho
WILMAR SILVA, Rio Paranaíba, Minas Gerais, Brasil.
Livros: Çeiva (Brasil, 1997), Arranjos de Pássaros e Flores, (Brasil, 2002), Cachaprego (Brasil, 2004), Anu (Brasil, 2008), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (Brasil/ República Dominicana, 2009), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Lágrimas en el Lago de Púrpura (Argentina, 2009), Yguarani (Portugal, 2009), Silvaredo (Brasil, 2010), Estilhaços no Lago de Púrpura/ Astillas en el Lago de Púrpura (República Dominicana, 2010).
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
"Desvarios da Musa" no Clube Literário - Fotos Carlos Silva
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
No Clube Literário
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
ESCOLA DAS MUSAS
Hesíodo, Teogonia (vv. 96-97)
A arte de Elisabete Pires Monteiro possui um sentido amplo: toda a irrupção (a força energética) da pulsão plástica. Admite-se, implicitamente, a determinação “fundamental” do conceito freudiano de pulsão”. As pulsões caracterizam-se por aquilo que Lacan chama “deriva”. Parte-se da articulação das pulsões como rede de significantes. O que está implicado aqui é o fluxo do devir - a demanda que funda o inconsciente - as flutuações-bifurcações da criação plástica - que requer uma intensidade e um excesso pulsionais. Creio que o que é revivido na “transferência” é essa busca na qual o sujeito se procura correndo o risco de perder-se numa forma de “des-ser” e – porque não? – de loucura.
loucura poética
Platão (427-347 a.de C.) distinguia quatro formas de “loucura divina”: a loucura profética, a loucura ritual ou iniciática, a loucura poética e a loucura erótica. Todas elas, afirmava Platão, se produziam quando um deus alterava as habituais normas sociais. Afrodite e Eros eram considerados os deuses protectores da loucura erótica, o estado de arrebatamento que se tomava por desejável. As musas representavam a loucura poética, cujos produtos gozavam de grande aceitação entre o público. A loucura ritual se inspirava em Dionísio, e Apolo foi a divindade protectora da loucura profética. Poder-se-ia demonstrar que as sacerdotisas que emitiam vaticínios em Delfos prostavam-se em algum momento em cada uma destas formas de loucura. A palavra “mantis”, adivinho, vem de “mainein”, que significa experimentar o frenesi ou entrar em êxtasse.
figurações
O deslumbre, provocado pelas telas de Elisabete Pires Monteiro , pode-se explicar pelo carácter de circularidade. É a realidade da auto-travessia do corpo – a ancoragem da psique no corpo - que constitui grosso modo a lógica implacavelmente irresistível das suas obras. A sua pintura pode ser tomada como uma abertura às ficções (figurações) do eu. É inacessível por ser acessível. As suas criações enraízam-se no pulsional que tem por correlato a intemporalidade do inconsciente (as fulgurações do amor e suas formas sublimadas). A ambiguidade , imprescindível à arte, está arraigada na obra de Elisabete Pires Monteiro. Nas suas cogitações – obra-resultado - parece emergir eros (referenciável a partir de indícios indirectos, parciais ou dispersos) e seus prolongamentos simbólicos (recalcados, disfarçados ou transformados de uma sexualidade muito mais vasta do que as suas manifestações observáveis) .
“fora de si”
A pintura, em Elisabete Pires Monteiro, caracteriza-se como um tecido mesclado pela pré-cognição. Na configuração dos oráculos, da exaltação da Musa ou Apolo (um “fora de si”). A sua obra insólita - de re-conexão com a alma e o self - a cor eloquente - condensa os conteúdos espirituais da psique. “Desvarios” é uma ideia-chave: parte-se dos meandros de um acervo simbólico, um núcleo delirante, um “passe” mágico, um “traço” primeiro, arcaico, cosmogónico (uma “inspiração espiral”). É importante notar o traço somato psíquico: plano a plano centra-se no feminino (a especificidade feminina, que escapa, em larga medida, à conceptualização).
“fantasmática”
Em Elisabete Pires Monteiro defrontamo-nos com o elemento compulsivo – a compulsão à repetição – as singularidades de uma “fantasmática” pessoal. Mas a sua pintura, com efeito, não poderá ser circunscrita à espontaneidade do inconsciente - a economia libidinal (a libido transfigurada) e seus incidentes (episódios) biográficos - cujo ponto de partida seria a pregnância (regressão) neurótica ( “perversidade”). O seu trabalho consubstancia – por sinal - um modo pessoal e estilizado – no entrelaçamento afirmativo da infra-estrutura do inconsciente - deve considerar-se como indissociável da “revêrie” poética. Revela-nos numa série de pautas esotéricas e de arquétipos universais “imagens-princípios”. Não se pode esquecer, além disso, a proeminência do onirismo.
(com)pulsional
Nas telas de Elisabete Pires Monteiro assiste-se a essa transformação da imagem sensorial em imagem íntima e símbolo (na assimilação de efeitos pictóricos únicos, nunca repetidos). Torna-se bem patente o âmbito das mediações (o simulacro) do desejo: uma “mélange” de erotismo e de “quête” da alma. A sua arte constitui, como já dissemos, um “singularizar” que põe em jogo inúmeros planos do conhecimento e da experiência. Vemo-nos transportados ao inconsciente - o pensamento não pensado - o “trabalho do sonho”.
arqué
A fantasia inconsciente – na sua função simbólica - encontra o meio de expressar seus conteúdos. Será lícito falar-se de uma pintura que nada tem a dissimular. Sobrevém aqui o enigma do desejo - do lado do sintoma - o reinvestir do corpo e do pensamento (na “reportação” às profundezas da arqué). E por isto mesmo se compreende o seu género livre - leia-se - de desnudamento e de nudez. A diferentes níveis perpassa o sagrado, do in-habitual em face do quotidiano e do familiar. O aspecto dominante e típico da sua pintura continua, no entanto, a ser, em nosso entender, a sua força (com)pulsional, constituindo ela, afinal, um corpo disseminado. E em que o descensus torna-se ascensus.
Alexandre Teixeira Mendes
Porto, Outubro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
A FACE DO VISÍVEL
FILO-CAFÉ VIAGENS - DE LAMEGO AO TITICA
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Humeurs Courtes
Curiosamente, foi também um local mítico da minha infância.
T'ais-je un jour connu?
Mirage dans le lointain désert
Source qui a puisé l'existence
Je t'ai connu bien avant que ton corps naisse.
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Pourquoi n'es-tu pas juste une âme?
Au lieu d'un corp qui torturerais le mien
Tu serais lá pour me completer
Je t'ai cherché partout mais tu n'étais pas visible
Restes, ne t'envoles pas à nouveau
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A quoi bon chercher le temps si celui-ci est impalpable
Y a t-il encore des traces de moi dans ce décor inchangeable?
Où es-tu? Je ne t'entends plus
Qui es-tu?
27/05/2009 Saint-Benoît-sur-Loire
Saint-Germain je vois des pieds partout
Tant de pieds et je ne les vois plus!
Pourquoi mon coeur à remplacer mes yeux et ne me laisse plus rien voir du tout
31/05/2009 Paris
domingo, 20 de setembro de 2009
Interconexões básicas
Viagem, mapa
Tudo exprime tudo. Sob o labirinto poético de deus procuro uma sombra
fátua: um mapa insondável e anónimo. Lembro anton webern sobre o exíguo.
A música do inenarrável. O branco irrecuperável das águas marinhas. Eis-me
na nau sobre as nuvens pesadas. Reconheço essa luz frágil e húmida. A voz
do irremediável - num frémito da loucura - a acutezza recondita. Deixa-me
só ! – a sós no êxtase momentâneo - a escrita-mundo - onde me contradigo.
Como dizer o som injustificado nas palavras? O que prevaleceu irreversível?
Junto quarto abandonado – a linfa dos ribeiros - o clarão da insónia? De súbito
a lucidez do visível na noite do reverso? O que se dissipa no corpo do aéreo?
Alexandre Teixeira Mendes
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
MEDEIA E JASÃO

CONTO HIPER-BREVE DA RAINHA DO SOL
Ela conheceu um ser de segurança vindo do céu que lhe prometeu o sol e pronto a fez rainha numa gaiola dourada de feixes para viver sem tempestades, sempre em acalma, mas sucedeu que chegou com sucesso afinal num dia nublado e ela voou livre com o vento que não conhece gaiolas.
"Alfonso Láuzara Martinez"
ENCONTRO DE PINTURA AO VIVO - BOTICAS - AGOSTO 2009
domingo, 26 de abril de 2009
La Maladie
EGG TEMPERA
entre estas quatro paredes do atelier aguardas pelos amigos que partiram - no sonho inconsciente prossegues - diferente cada dia no incorrigível - buscas uma pintura que seduza - nuvem - obscura nave - da inquietude - quem perpetua o instável - a regra de ouro - dos mestres florentinos - o livro dell'arte de cennino d'andrea cennini - egg tempera ? - quem no tumulto da matéria se detêm - habita o resplandecente ? - quem sequioso nos incita à cegueira do propício - ruma ao farol - quem sabe - que o tempo está próximo - antes de tudo ter compreendido - ama - num vislumbre de luz - o furtivo -
Alexandre Teixeira Mendes
O precipício mudo – onde ecoa o anjo – espiral da luz – diminuída – o corpo no seu decair – a alma
(Alexandre Teixeira Mendes)
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Sinergias textuais
há um corpo menos escravo por aí
que contesta o embuste do a-braço
que se torna no busto-perna-braço
que adentra o próprio corpo que habita o traço
e se quer mais alma
há um corpoabraço
desintoxicado dos barbitúricos claustrofóbicos
absolvido dessa parte material e almofadado de eridiscências
salvo de indecências platónicas e de nascimentos apocalípticos
livre de anatomias agrilhoadas em rimas canónicas
ampliado conicamente pela mera vontade poética da engenharia dos materiais metorgânicos
há um corpamplexo à soltaque se despe dos corpos inferiores
que afoga o afago no pensamento
como um ovo celeste por chocar
que desliza tela afora pela via dos membros superiores
incomensuráveis do Conselho Universal do xifoíde supra-astral
É a elegia à metáfora da fusão
a liberdade de Ayur na paleta das sinergias textuais
fora a fecundar que se fizera justiça ao genoma
e só assim puderam salvar-se uns aos outros e viver felizes para sempre
tudo porque eclodiu esse corpo com braços que esticam
como frases que não se conseguem terminar
Suzana Guimaraens
(A Alma em coisas)
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Fecundação e Alívio
Fecundação / Fecondation
Alívio / Soulagement
http://incomunidade.blogspot.com/2008/10/filo-caf-fecundao-no-orfeo.html















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