domingo, 9 de dezembro de 2012
sábado, 1 de dezembro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
SIN(T)ILIDADES POR ALEXANDRE TEIXEIRA MENDES
PRIMITIVO, PRIMORDIAL, PRIMEVO
xamanismo e demonologia das origens
Elisabete Pires Monteiro (Sully-sur-Loire, 1974) concede um lugar decisivo ao “arcaico” e ao “primordial”. Encontra-se aqui a parcela de acerto entre o mito e o rito. Os rituais, segundo vimos, tornaram-se, pois, no mundo grego arcaico, muitas vezes a origem dos mitos. Mais que um enquadramento das unidades de significado - os traços distintivos - importa considerar uma arte (originária e original) que nos remete às figurações do xamanismo (susceptível de ser apreendido enquanto manifestação). Trata-se de uma pintura que veicula a protociência da sociedade primitiva: a magia branca e a magia negra (considere-se, por exemplo, a feitiçaria, o encantamento, a bruxaria, o curandeirismo, a taumaturgia, etc.).
técnicas do êxtasse
Entender estes quadros requer transladar-mo-nos à terra dos xamãs. São eles, efectivamente, que colocam o acento não apenas nas técnicas (difíceis) do êxtasse, mas também na tomada de consciência das forças do tabu e do maná, só se compreendem bem no contexto da experiência da demonologia das origens. “É verossímil - segundo Walter Shubart - que a religiosidade humana tenha-se despertado à vista do primeiro cadáver. Mesmo as formas mais primitivas da religião, no totemismo, por exemplo, atestam, ao mesmo tempo, o terror colectivo e a veneração cultual. O tabu engloba os conceitos aparentemente inconciliáveis de sagrado e de impuro. Os dois se unem no conceito mais amplo do inacessível, do intocável. Entrelaçam-se, assim, o medo divino e a repulsão demoníaca” (Eros e a Religião, 1975, p. 13). Retornemos todavia à consideração dos experimentos de uma arte (cena) "primal" como: primitivo, primordial, primevo. Um ante- tematizar, "mostrar" ao invés de "dizer".
tremendum et fascinans
Na pintura de Elisabete Pires Monteiro desvenda-se a familiaridade com um sistema simbólico do qual participa e cuja lógica é directamente a do xamanismo. Na sua arte circula num constante vaivém do olhar xamanístico para o olhar do pintor-etnólogo: o “mysterium tremendum et fascinans”. Falámos dum “primitivismo” mágico-religioso (inconsciente, espontâneo) da psique humana, da emergência de uma lógica (ou de uma cosmovisão) que opera por meio de técnicas arcaicas do êxtasse e coincide com os conjuros e a prestigitação, a adivinhação e a teurgia, os amuletos-talismãs e santos-e-senhas de magia. Devemos contudo notar que o xamã enquanto homo religiosus vive o influxo da sacralidade da natureza e a religião cósmica. Referimo-nos às viagens místicas ao céu e as descidas ao inferno, a conversação com Deus, seres semi-divinos e as almas dos mortos, etc., e isto é capital.
“sagrado selvagem”
Trata-se de determinar aquilo que esta pintura evoca: os xamãs - o inter e o trans-mundo - o motivo do sacrifício - o “sagrado selvagem” (Roger Bastide). Podemos aliás facilmente verificar, na arte de Elisabete Pires Monteiro, uma espécie de formalismo que nos remete para as simbolizações primordiais e os caracteres arquetípicos . É aqui que intervêm o inconsciente, a compulsão à repetição. O xamã - como Mircea Elíade admite - é o grande especialista da alma humana. Só ele a “ vê”, porque conhece a sua “forma” e seu destino” (El chamanismo e las técnicas arcaicas del êxtasis, Fondo de Cultura Económica, 1960, p. 23). Digamos que a problemática do xamanismo, a que o autor de “O Sagrado e o Profano - A Essência das Religiões” deu tanta importância, reaparece, uma vez mais, como via de acesso dos poderes mágico-religiosos.
visão, theoría
De uma coisa podemos estar certos: a persistência de um certo pathos xamânico nas sociedades arcaicas. O que está em jogo, então, são as técnicas e ideologias mágico-extáticas, aquelas que, de facto, dizem respeito ao esquema cosmológico “clássico”. Note-se bem, e insistimos mais uma vez, neste ponto, que a própria etimologia do êxtasse alude ao voo ou viagem fora da nossa particularidade. O problema está posto em termos de uma a espiritualidade tribal que se reduz em última instância à dialéctica do transe. Podemos mesmo afirmar, partindo de F.M. Cornford, por exemplo, que a Grécia Antiga assimilava a verdade com a visão. Curiosamente as tradições xamãnicas também entenderam a verdade como visão (que revela e permite ser). Já Aristóteles havia procurado a origem do pensamento religioso na realidade das experiências psíquicas. O conceito de theoría, mediante o que descobre a suprema experiência do sagrado pelo homem, expressa em primeiro lugar a realidade física de uma visão, cuja semelhança com as festas religiosas colectivas de Olímpia e com as Dionisíacas ele mesmo sublinha.
Alexandre Teixeira Mendes Porto, 17 de Maio de 2012
xamanismo e demonologia das origens
Elisabete Pires Monteiro (Sully-sur-Loire, 1974) concede um lugar decisivo ao “arcaico” e ao “primordial”. Encontra-se aqui a parcela de acerto entre o mito e o rito. Os rituais, segundo vimos, tornaram-se, pois, no mundo grego arcaico, muitas vezes a origem dos mitos. Mais que um enquadramento das unidades de significado - os traços distintivos - importa considerar uma arte (originária e original) que nos remete às figurações do xamanismo (susceptível de ser apreendido enquanto manifestação). Trata-se de uma pintura que veicula a protociência da sociedade primitiva: a magia branca e a magia negra (considere-se, por exemplo, a feitiçaria, o encantamento, a bruxaria, o curandeirismo, a taumaturgia, etc.).
técnicas do êxtasse
Entender estes quadros requer transladar-mo-nos à terra dos xamãs. São eles, efectivamente, que colocam o acento não apenas nas técnicas (difíceis) do êxtasse, mas também na tomada de consciência das forças do tabu e do maná, só se compreendem bem no contexto da experiência da demonologia das origens. “É verossímil - segundo Walter Shubart - que a religiosidade humana tenha-se despertado à vista do primeiro cadáver. Mesmo as formas mais primitivas da religião, no totemismo, por exemplo, atestam, ao mesmo tempo, o terror colectivo e a veneração cultual. O tabu engloba os conceitos aparentemente inconciliáveis de sagrado e de impuro. Os dois se unem no conceito mais amplo do inacessível, do intocável. Entrelaçam-se, assim, o medo divino e a repulsão demoníaca” (Eros e a Religião, 1975, p. 13). Retornemos todavia à consideração dos experimentos de uma arte (cena) "primal" como: primitivo, primordial, primevo. Um ante- tematizar, "mostrar" ao invés de "dizer".
Ceux qu'ils restent
Acrílico sobre tela
tremendum et fascinans
Na pintura de Elisabete Pires Monteiro desvenda-se a familiaridade com um sistema simbólico do qual participa e cuja lógica é directamente a do xamanismo. Na sua arte circula num constante vaivém do olhar xamanístico para o olhar do pintor-etnólogo: o “mysterium tremendum et fascinans”. Falámos dum “primitivismo” mágico-religioso (inconsciente, espontâneo) da psique humana, da emergência de uma lógica (ou de uma cosmovisão) que opera por meio de técnicas arcaicas do êxtasse e coincide com os conjuros e a prestigitação, a adivinhação e a teurgia, os amuletos-talismãs e santos-e-senhas de magia. Devemos contudo notar que o xamã enquanto homo religiosus vive o influxo da sacralidade da natureza e a religião cósmica. Referimo-nos às viagens místicas ao céu e as descidas ao inferno, a conversação com Deus, seres semi-divinos e as almas dos mortos, etc., e isto é capital.
Taumatúrgo, Xamã
Acrílico sobre tela
“sagrado selvagem”
Trata-se de determinar aquilo que esta pintura evoca: os xamãs - o inter e o trans-mundo - o motivo do sacrifício - o “sagrado selvagem” (Roger Bastide). Podemos aliás facilmente verificar, na arte de Elisabete Pires Monteiro, uma espécie de formalismo que nos remete para as simbolizações primordiais e os caracteres arquetípicos . É aqui que intervêm o inconsciente, a compulsão à repetição. O xamã - como Mircea Elíade admite - é o grande especialista da alma humana. Só ele a “ vê”, porque conhece a sua “forma” e seu destino” (El chamanismo e las técnicas arcaicas del êxtasis, Fondo de Cultura Económica, 1960, p. 23). Digamos que a problemática do xamanismo, a que o autor de “O Sagrado e o Profano - A Essência das Religiões” deu tanta importância, reaparece, uma vez mais, como via de acesso dos poderes mágico-religiosos.
Trans-mundo
Acrílico sobre tela
visão, theoría
De uma coisa podemos estar certos: a persistência de um certo pathos xamânico nas sociedades arcaicas. O que está em jogo, então, são as técnicas e ideologias mágico-extáticas, aquelas que, de facto, dizem respeito ao esquema cosmológico “clássico”. Note-se bem, e insistimos mais uma vez, neste ponto, que a própria etimologia do êxtasse alude ao voo ou viagem fora da nossa particularidade. O problema está posto em termos de uma a espiritualidade tribal que se reduz em última instância à dialéctica do transe. Podemos mesmo afirmar, partindo de F.M. Cornford, por exemplo, que a Grécia Antiga assimilava a verdade com a visão. Curiosamente as tradições xamãnicas também entenderam a verdade como visão (que revela e permite ser). Já Aristóteles havia procurado a origem do pensamento religioso na realidade das experiências psíquicas. O conceito de theoría, mediante o que descobre a suprema experiência do sagrado pelo homem, expressa em primeiro lugar a realidade física de uma visão, cuja semelhança com as festas religiosas colectivas de Olímpia e com as Dionisíacas ele mesmo sublinha.
Alexandre Teixeira Mendes Porto, 17 de Maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Rayonnement Obscure
L'ITINÉRAIRE DU FEU
On en deviendrait fou - j'avance dans une abime que je ne sais voir - que je crains de voir - tombent les fleurs - coule l'eau - partager l'âme - le feu de fièvre et d'errance - il ne me reste que toi - le soleil qui s'efface et les nuages - L'or et l'inconscience nocturne - le corps amoureux que tu cherches - illuminant la voix et la parole.
Je suis l'itinéraire du feu - j'ouvre la porte et j'entends la mer - jusqu'à tes yeux - la voix si lucide - l'illumination sans nom - invisible...
Alexandre Teixeira Mendes
(in www.douradaatempera.blogspot.com)
sábado, 24 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Sons da Alma
Pintura capa: Elisabete Pires Monteiro
Lançamento do Livro "SONS DA ALMA" de Antonieta Barros
20 Janeiro 2012
18h
Biblioteca Municipal de Chaves
domingo, 13 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
IRREMEDIÁVEL - AUTÓMATO -
foto: Ana Almeida Santos
ESPECTRO - VOLÁTIL - NAS ELOCUBRAÇÕES - DO INCERTO -
Deste mar - infindo circunlóquio - sou um náufrago - irremediável - autómato - que perpetua - a inalcançável - voz - dos mapas -
No zénite da praia - só me resta - a espuma do inabitado - o ecoar da pedra - inabalável - discernimento - da luz -
Devo esquecer o espectro - volátil - que se acerca - deste corpo - sub - emerso - fundo do lodo - nas elocubrações - do incerto -
Alexandre Teixeira Mendes
sábado, 17 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Luz
LUZ - CEGUEIRA DO ESCASSO -
- TRÂMITE - DO DESERTO -
sobre a humidade - dos brônquios - a lâmina do irresistível -
o sono - maturação do excesso - luz - cegueira do escasso -
voz que se desvanece - na intempérie - trâmite - do deserto -
Alexandre Teixeira Mendes
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)






























